quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O que falava Santa Bernadette quando era religiosa (1868-1869)

Santa Bernadette religiosa em Nevers. [N.R.: nome de religião irmã Marie-Bernard]
Santa Bernadette religiosa em Nevers.
[N.R.: nome de religião irmã Marie-Bernard]



1868

Irmã Charles Ramillon:

Eu estava presente, um dia, quando uma de nós lhe disse: 

“Você contou os segredos de Nossa Senhora à madre superiora?”. 

“Não.”

“Nem à mestra das noviças?” 

“Nem a ela.”

Então, acrescentei: “Mas, e se o Santo Padre perguntasse quais são esses segredos?”. 

Ela respondeu: “Eu pensaria no caso”.


Novembro

Conde Lafond:

Dom Chigi [núncio apostólico na França, ndr.] mandou chamar irmã Marie-Bernard [N.R.: nome de religião de Santa Bernadette] ao parlatório.

“Filhinha”, perguntou a ela, “você não teve medo quando viu Nossa Senhora?”.

“Oh, sim, monsenhor, muito; mas só da primeira vez; depois, era tão bonita!”.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Santa Bernadette no convívio do convento de Nevers (1866-1867)

Imagem de Santa Bernadette no convento de Nevers.
Imagem de Santa Bernadette no convento de Nevers.




Vejamos testemunhos das religiosas e de pessoas que encontraram Bernadete durante a sua permanência na casa-mãe da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers, de 1866 até sua morte, em 16 de abril de 1879.


1866

Julho

Irmã Emiliana Duboé:

Bernadete ficou sob meus cuidados desde sua chegada ao noviciado, para que se acostumasse. [...] O que lhe doía era não ver mais a gruta de Lourdes.

“Se você soubesse”, ela me disse, “o que eu vi de bonito ali”. Eu tinha a tentação de perguntar, mas ela me respondeu que não podia dizer nada, que a mestra das noviças a havia proibido.

Dizia-me: “Se você soubesse como Nossa Senhora é boa!”.

Um dia Bernadete me mostrou que eu fazia mal o sinal da cruz. Eu respondi a ela que certamente não o fazia tão bem quanto ela, que o aprendera de Nossa Senhora.

“É preciso ter atenção”, ela me disse, “pois fazer bem o sinal da cruz significa muito”.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Imaculada Conceição: em Lourdes Nossa Senhora nos pede amar esse privilégio divino exclusivo que A põe por cima de todos







Quanto mais nós admiramos uma pessoa, mais nós devemos amá-la.

E quanto mais nós a amamos, mais nós devemos ser propensos a admirar as qualidades que Ela tem.

Por causa disso, nos veneramos Nossa Senhora como Mãe ao mesmo tempo sumamente amável e sumamente admirável.

Nossa Senhora aparece fazendo-se admirar pelo título que Ela proclama.

Ela disse a Santa Bernadette Soubirous: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Quer dizer, uma criatura que está numa condição inteiramente superior a todas as outras. Porque concebida sem pecado original e gozando de uma predileção toda especial de Deus.

De outro lado, Ela pratica milagres dos mais estupendos, numa continuidade e numa importância sem igual história da igreja. E isto é porque Ela quer. Então Ela se apresenta muito à nossa admiração.

Mas, de outro lado, Ela se apresenta ao nosso amor pela sua caridade, pela sua bondade, pelo interesse na nossa salvação eterna, e pela felicidade dos homens na vida terrena.

Há aí, portanto, esses dois qualificativos que se unem. Aquilo que um falso espírito seudo-democrático e pagão gostaria de separar.

E o princípio de autoridade, na sua mais alta expressão.

Os privilégios d’Ela na sua mais alta categoria e realização não afastam do amor, mas pelo contrário convidam ao amor.

A devoção a Nossa Senhora de Lourdes nos comunica este amor à hierarquia sublime, à desigualdade harmônica.

Ela nos dá indiretamente uma lição de anti-igualitarismo.

Quer dizer, uma lição do oposto do mal que corre pelo mundo em forma de Revolução imoral que ataca a família e a sociedade.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 7/2/65, sem revisão do autor)


Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Lourdes: Nossa Senhora cura os corpos porque cura as almas

Lourdes: doentes indo e vindo da Gruta




Eu me lembro de uma cançãozinha religiosa, que se cantava no meu tempo, em que havia um resto de piedade, e que dizia:

“Salve, ó Mãe! Salve, ó Virgem Santíssima! Do universo portento e primor; mais esplêndida glória que a Tua, só tem Deus, do universo Senhor.”

É piedosa a canção e realmente a conclusão é esta: mais esplêndida glória que a Tua só tem Deus, do universo Senhor.

Quer dizer, Nossa Senhora está infinitamente abaixo de Deus. E tudo quanto está abaixo de Nossa Senhora está incomensuravelmente abaixo dEla. É o que a perenidade das curas de Lourdes nos diz.

Há uma certa religiosidade um pouco dada a graças materiais, a pedir favores materiais, etc., etc., que desdenha os favores espirituais e que se impressiona muito com as graças materiais de Lourdes.

Há quem não compreenda que os favores materiais que Deus dá são de fato favores. E favores que a gente deve pedir. Mas que só são verdadeiramente favores, na medida em que levam a nossa alma a desejar os favores espirituais, as graças para a alma. É por aí que verdadeiramente Deus atrai as almas para Ele, porque todos os favores tem este fim.

Doentes diante da Gruta
Não se pense que a cura de Lourdes é só porque Nossa Senhora tem pena do homem que é capenga, no sentido físico da palavra, e que Ela corrige o coxo.

Ela tem pena do coxo, é claro. Ela tem gosto em corrigir a capenguiçe do coxo, é claro.

Mas muito mais do que isto Ela quer fazer a ele um bem à sua alma. E serve-se de um milagre físico, para fazer bem à alma dele e dos outros que vêem isto.

E o bem que no caso está em vista é uma grande fé na verdade de que Ela é medianeira de todas as graças.

Eu digo isto porque nós tivemos, não me lembro bem se ontem ou anteontem, a cerimônia das velas de São Braz. Eu estava vendo aquele mundo de gente que vai lá para se proteger contra a dor de garganta.

É claro que Nossa Senhora ama, preza, de nos livrar de um mal da garganta, nos casos em que esse mal não nos conduza para a salvação. Porque às vezes uma dor da garganta, e coisas piores do que isto, às vezes muita doença faz muito bem para muita gente.

Acendendo velas para Nossa Senhora em Lourdes
Se não houvesse doença na terra, o inferno estaria muitíssimo mais cheio do que está. Não é muito não, é muitíssimo mais cheio do que está. Portanto, não é qualquer doença que Nossa Senhora cura.

Mas quando é o caso de curar, Ela cura com amor materno, gosta muito de curar.

Mas Ela cura para que? Para fazer sentir às pessoas a bondade dEla. E para lhes estimular o desejo de se curarem dos males, das doenças da alma, para adquirirem os bens da alma; é para isso que Ela faz.

E é assim que a coisa deve ser vista. Realmente para a cura do corpo, considerando também em si a cura do corpo, mas visando sobretudo a cura da alma.

Essas são as considerações que na novena de Nossa Senhora de Lourdes eu podia fazer.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 04 de fevereiro de 1965. Sem revisão do autor.)



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